Desencanto canarinho: conhecendo a soberba - O Fino da Bola

Desencanto canarinho: conhecendo a soberba

Rodrigo Bronquinha 0
Desencanto canarinho: conhecendo a soberba

Por Athos Teodoro

Passei a infância ouvindo falar sobre e até tendo a honra de ver o final da “época de ouro” da seleção brasileira.

Àquela altura, com oito anos de idade, acreditava eu que o futebol brasileiro era o maior e melhor do mundo. E realmente parecia ser. Afinal, Ronaldo era a marca dessa época e quem nunca achou que poderia traçar trajetória semelhante à de Ronaldo?

O tempo passou e cresci. Novos conceitos se desenvolveram e passei a acompanhar o futebol mais assiduamente e assim, a desenvolver um gosto pelo esporte e pelas análises de desempenho de cada atleta e de cada time em diversos jogos e desta forma percebi que o futebol era bem jogado em outros tantos países. Logo, passei a discordar que o futebol brasileiro, seja ele o da seleção como o de clubes, era o melhor do mundo.

A partir de então, pude verificar de forma sistemática, a insistência da imprensa brasileira em apregoar a superioridade técnica bem como da melhor prática do esporte bretão em terras tupiniquins. Talvez apenas um ledo engano. Ou até mais grave, cegueira e pouco conhecimento futebolístico. Ou ainda de forma absurda, a soberba e sua inseparável frase: “nós temos cinco mundiais”.

E essa soberba é o problema que gera todos os outros itens e que leva a formação de opiniões erradas e acabam fazendo com que sejamos “surpreendidos” constantemente por adversários de menor expressão ou que, supostamente, são inexpressivos.

A mesma imprensa que prega trabalhos a longo prazo e menos análise de resultado imediato é aquela que não costuma analisar as campanhas da seleção pentacampeã em todo o ciclo das copas. Digo isso, para lembrar as campanhas de 62 (que sufoco para se classificar), 94 (jogos difíceis e time extremamente burocrático) e 2002 (como foi difícil chegar àquela copa e talvez, se não fosse a atuação do árbitro contra a Bélgica, o penta não teria chegado). Isso para não

falar de 98 e 2006, ou outras tantas campanhas sofríveis. E é pensando assim, que não se pode bater no peito para se dizer que é pentacampão mundial e se achar superior as demais nações.

Mas por conveniência, é assim que se faz e se ignora a crescente futebolística de clubes colombianos, chilenos, paraguaios, equatorianos e até mesmo do permanentemente emergente futebol mexicano. Futebol este sempre de bom toque de bola e de conceitos táticos muito bem definidos, sempre tendo o acréscimo de um ou mais jogador habilidoso sul-americano. – E assim, sucessivamente, vamos colecionando eliminações e mais eliminações em Libertadores e Sulamericanas.

Continua na próxima postagem…