Desencanto canarinho: de cara com o muro da realidade - O Fino da Bola

Desencanto canarinho: de cara com o muro da realidade

Rodrigo Bronquinha 0
Desencanto canarinho: de cara com o muro da realidade

Por Athos Teodoro
Vejo hoje, como ápice dessa soberba o momento do chaveamento da Copa Libertadores de 2015, onde grande parte da imprensa dita especializada, já pensou em uma final brasileira e resolveram ignorar os tradicionais argentinos, os surpreendentes Guaraní e Emelec e os perigosos Tigres e Santa Fé. Este comportamento tem sido recorrente e o resultado todos já sabem.
Outro ponto a ser observado são as consecutivas eliminações do Brasil para o Paraguai na Copa América. Um time pesado, de transição lenta e que sobrevive de bolas aéreas e em ultimo caso recorre ao interminável Roque Santa Cruz. Mas que mesmo assim, sabe explorar a ineficiência tática e a super dependência de Neymar ou até mesmo pecando pelo excesso de garra.
E ainda falando de Copa América, vimos que o melhor futebol praticado foi o do Chile. Talvez impulsionado por sua entusiasmada torcida. Mas também por uma geração de bons jogadores e muito bem treinados por Jorge Sampaoli. E é pra falar da audácia de Sampaoli que citei a Copa América. Futebol ousado, ofensivo e time compacto. Futebol moderno. Futebol como deve ser jogado. Conceitos atuais na teoria e na prática. Mas, por mais especulada que seja a contratação dele no país, ainda há muita resistência por parte da imprensa e de muitos dirigentes que preferem Celsos Roth, Hélios dos Anjos, Felipões e por aí vai.
Carlos Alberto Torres (merece muito respeito) disse quando da contratação de Osório pelo São Paulo: “Quem é este senhor? Bicampeão colombiano?”. E complementou: “trabalhar na Colômbia é diferente de trabalhar no Brasil”. Estas falas sintetizam perfeitamente a soberba da qual vive o futebol brasileiro, mesmo que Osorio não vingue.
É de assustar! De arrepiar! Enquanto falamos em reformulação da base, esquecemos-nos dessa soberba. É certo que ter uma base estruturada traz resultado. Mas será que a soberba deixará o trabalho ser realizado a longo prazo?
Fato é que muitos se apegam a tal reformulação e esquecem que o futebol na América, conceitualmente falando, melhor desenvolvido e pensado, está nas mãos de Sampaoli, Osório, Ricardo Ferreti do Tigres, entre outros. No Brasil, há rabiscos com Tite e Roger Machado e lampejos com o ex-ruim Levir Culpi no Galo. Futebol que é baseado no trabalho pioneiro de El Loco Bielsa e que é trabalhado a longo prazo e com muita humildade.